Em Bolonha, região Emília-Romanha (Emilia-Romagna), norte da Itália, encontramos o fascinante complexo da Basílica de Santo Estêvão (conhecido como Sete Igrejas ou A Santa Jerusalém), onde conserva-se uma relíquia única: o presépio mais antigo do mundo feito com estátuas em tamanho real.
Diferente dos presépios tradicionais que montamos em casa, este é uma obra de arte monumental que atravessou séculos para contar a história da Natividade.

Uma obra de arte monumental
A história deste presépio é dividida em dois momentos cruciais que definiram sua beleza:
- A Escultura (século XIII): Por volta de 1290, um mestre escultor anônimo esculpiu as figuras em troncos de madeira de tília e olmo. São cinco estátuas imponentes que representam a Virgem Maria com o Menino Jesus, São José e os Três Reis Magos.
- A Cor (Século XIV): Originalmente as peças não tinham cor. Foi apenas em 1370 que o renomado pintor bolonhês Simone dei Crocefissi deu vida às esculturas, pintando-as no refinado estilo gótico, com detalhes que encantam os visitantes até hoje.

Por que o presépio de Bolonha é tão especial?
Embora o primeiro presépio “vivo” tenha sido criado por São Francisco de Assis em 1223, o de Bolonha detém o recorde de ser o mais antigo conjunto de estátuas tridimensionais (vulto pleno) e independentes.
Enquanto outras representações da época eram feitas em relevos nas paredes, estas estátuas podem ser admiradas de todos os ângulos.


A Santa Jerusalém de Bolonha
O presépio não está em um lugar qualquer. Ele fica na Igreja da Santíssima Trindade/Martírio, dentro de um complexo que foi planejado para replicar os locais sagrados de Jerusalém.
Abaixo, um post que escrevi sobre este complexo bolonhês:

Visitas guiadas em Bolonha com Maria Arruda, guia brasileira
Nesta visita guiada, exploramos o presépio mais antigo do mundo na Basílica de Santo Estêvão: um raro conjunto de esculturas de 1290 que ganhou vida sob os pincéis de Simone dei Crocefissi, em 1370.
Mais do que uma cena religiosa, vamos analisar a evolução da iconografia cristã dentro da Jerusalém de Bolonha, decifrando períodos de história que passam despercebidas ao olhar comum.
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