Os terremotos na Itália que destroem o imenso patrimônio-artístico do país


Arte italiana

Desde 24 de agosto de 2016, a Itália central vem sofrendo abalos sísmicos de alta intensidade. Os mais recentes terremotos, o de 24 de agosto, o de 26 de outubro e o de 30 de outubro, este último com magnitude de 6.5 na escala Richter, não causam somente mortos (cerca de quase 300 no terremoto de 24 de agosto e, por sorte, nenhum nos dois últimos) e milhares de desabrigados, mas estão destruindo completamente ou danificando parcialmente  o magnífico e centenário patrimônio artístico-cultural italiano.

Até 29 de outubro, os assinalmentos de danos a obras de arte, igrejas, burgos medievais, eram cerca de 3.000, uma quantidade estratosfércia, mas depois do último terremoto, o de 30 de outubro, os assinalamentos passaram a quase 5.000! Um verdadeiro desafio dantesco para o Ministério dos Bens Culturais e do Turismo da Itália.

Terremotos na Itália: o patrimônio artístico também grita SOS

Nórcia, cidade-natal de São Bento

Nórcia, conhecida mundialmente por ser a cidade-natal de São Bento, teve o seu centro histórico destruído: a basílica do santo, padroeiro da Europa, desmoronou quase por inteiro. O que se salvou foi somente a sua fachada tardo-gótica.

Infelizmente, também desabou o campanário, construído em 1388 e reconstruído posteriormente na sua parte mais alta após o terremoto de 1703. Sempre os terremotos…

A notícia tristíssima, que comoveu não somente os habitantes de Nórcia, mas de toda a Itália e do exterior, foi que nenhuma igreja dessa cidade aguentou o tremor de 6.5 graus…

Quem analisa esse drama no patrimônio artístico-cultural italiano é Romano Cordella, historiador da arte e autor de “”Guida di Norcia e del suo territorio” (Guia de Nórcia e de seu território, em tradução livre).

A Basílica de São Bento, em Nórcia, desabou quase completamente

A poucos metros da Basílica de São Bento (Basilica di San Benedetto), vieram abaixo dois terços da Igreja de Maria Argentea,  sepultando um órgão do século XVIII, objetos preciosos e achados arqueológicos que eram guardados no seu interior.

A igreja românica, construída no século IX, já tinha sido danificada várias vezes, sempre por abalos sísmicos naquele pedaço da Itália central.

Foi reconstruída em 1500 e em 1770 desabou o campanário gótico sempre por um terremoto. Do edifício renascentista, até 29 de outubro, só tinha sobrado o batistério, o qual agora é praticamente inexistente.

Igreja de São Francisco destruída

Outra perda em Nórcia foi a Igreja de São Francisco (Chiesa di San Francesco), construída em 1385 pelos franciscanos e destruída e reconstruída após o terremoto de 1859.

Com o tremor de terra de 24 de agosto de 2016, Amatrice, a qual virou uma cidade-fantasma, desabaram a torre cívica e a Igreja de Santo Agostinho (Chiesa di Sant’Agostino). Essas construções viraram praticamente pó…

Apesar de Nórcia ter sofrido as destruições e danificações mais profundas no patrimônio artístico italiano, o terremoto de 30 de outubro também chegou até Roma e causou danos mais ou menos graves em vários bens artísticos: na Basílica de São Paulo Extramuros, uma das quatro basílicas papais de Roma, apareceu uma rachadura na sua fachada externa e desprendeu-se um dos suportes que sustentam um grande candelabro.

O terremoto também atingiu monumentos e igrejas em Roma

A Igreja de Sant’Ivo alla Sapienza, após esse terremoto, sofreu algumas danificações na sua majestosa cúpula, obra de Borromini. Foram detectadas também algumas rachaduras na Basílica de São Lourenço Extramuros, na qual desabaram partes de gesso e um lado da nave foi interditada aos fiéis.

Ainda na região Lácio, foi fechada a igreja de Cività di Bagnoregio, a “Cidade que morre”, candidata à Patrimônio Unesco, por danificações no campanário.

Já na região Marche, outra parte da Itália bem afetada pelo terremoto, há danos na Igreja de São José, em Jesi, a qual foi fechada aos fiéis.

Em Fabriano, cidade famosa pelo seu Museu do Papel e da Filigrana, há danos na Igreja de San Nicolò e na Igreja do Sagrado Coração.

Em Macerata, o campanário da Igreja de São João veio abaixo

Em Macerata, o campanário da Igreja de São João desabou, em plena praça central do burgo. Em Sarnano, desabou também o campanário da igreja neogótica de São José de Villa Pilotti, destruindo parcialmente a nave central da igreja.

Em Tolentino, foram encontradas graves danificações na Catedral de San Catervo e na Basílica de San Nicola.

No Duomo de Orvietto, caíram algumas porções de gesso.

A Igreja de São Francisco, em Anagni, foi interditada. Para completar, o terremoto abriu uma enorme rachadura na Colina dell’Infinito, em  Recanati, cidade-natal do escritor Giacomo Leopardi.

Patrimônio artístico-cultural do Lácio, Úmbria, Marche e Abruzzo em perigo

Os últimos terremotos atingiram quatro regiões italianas que concentram uma enorme densidade de patrimônio artístico e cultural: Lácio, Úmbria, Marche e Abruzzo. Esta última região sofreu um grande terremoto em 2009, o qual destruiu praticamente todo o seu centro histórico e que ainda não foi reconstruído completamente graças à burocracia e à corrupção que afligem a Itália.

É a identidade nacional, a história, a cultura do povo italiano que estão em perigo de vida e necessitam urgentemente de obras de restauração, reconstrução e, principalmente, de serem postas em segurança por meio de projetos antissísmicos sérios e modernos.

O patrimônio artístico-cultural italiano agradece. E a humanidade também.

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*Postagem baseada no original de Arte Magazine.


VIAGEM NA ITÁLIA

Desde 2003, sou residente em Riccione, um balneário turístico na região Emília-Romanha. No fim de maio de 2013, decidi tirar da gaveta a ideia de escrever um blogue com dicas de viagem na Itália, divulgando, assim, o maravilhoso patrimônio artístico, cultural e paisagístico que só este país pode oferecer.

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Comentários

  1. […] acontecimentos recentes na Itália, fazem com que se planeje e pense a reconstrução do patrimônio histórico danificado pelo […]

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