Segunda Guerra Mundial: A cobra fumou em Montese. Pracinhas brasileiros na Itália 🎖️


Dicas na Emília-Romanha / Museus

Em 2014, visitei o Museu Histórico de Montese com maior interesse no seu espaço expositivo dedicado à FEB – Força Expedicionária Brasileira, a qual lutou ao lado das Forças Aliadas na Campanha da Itália entre os meses de julho de 1944 e maio de 1945.

Os soldados brasileiros partiram para a guerra adotando como símbolo o desenho de uma cobra fumando cachimbo acompanhado da expressão A cobra vai fumar“,  uma vez que Getúlio Vargas tinha dito que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra.

Pois a cobra fumou, neste caso em Montese, e esta cidade presta uma homenagem aos nossos pracinhas ao lhes dedicar um espaço exclusivo no museu.

Guia brasileira na Itália. Maria Arruda

Pracinhas brasileiros na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

Objetos dos soldados da FEB (Força Expedicionária Brasileira) que lutaram ao lado dos Aliados, durante a Segunda Guerra Mundial, na Linha Gótica de Montese, província de Modena.

Pracinhas brasileiros na Itália: A cobra fumou em Montese, província de Modena

O Museu Histórico de Montese está situado no primeiro andar da fortaleza montesina, a qual, com seus 841 m de altura, desponta como elemento arquitetônico de referência para o centro da cidadezinha nos Apeninos de Modena.

Entre as várias salas expositivas do museu, há uma que é especialmente dedicada à FEB (sala cinco), onde existem duas reconstruções históricas que representam uma enfermaria e um escritório de campo.

Pracinhas brasileiros na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

Foto da segunda sala expositiva do Museu Histórico de Montese, dedicada à Cultura Material. A Linha Gótica (Linea Gotica, em italiano) foi uma linha defensiva instituída por um marechal alemão em 1944 com o escopo de retardar o avanço dos Aliados no norte da Itália. Esta linha defensiva iniciava na atual província de Massa e Carrara e ia até Pesaro, na Costa Adriática.

FEB – Força Expedicionária Brasileira

A FEB era composta por vinte e cinco mil soldados, os quais, combatendo em primeira linha sob o rígido inverno entre 1944 e 1945, conseguiram liberar a cidade de Montese da ocupação inimiga.

Pracinhas brasileiros na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

Mensagem do General Mascarenhas de Moraes (Comandante da Força Expedicionária Brasileira na Itália) para os Comandantes dos Contratorpedeiros Marcílio Dias, Mariz e Barros e Greenhalgh, da Marinha do Brasil: “Em nome dos brasileiros aqui a bordo, que partem para a primeira linha para continuar o glorioso trabalho da nossa Marinha pela defesa da nossa soberania, expresso as minhas saudações, muito grato pela vossa excelente proteção antissubmarino” (tradução livre).

Um museu insólito

Desnecessário salientar que este museu não é o típico lugar para se apreciar uma linda obra de arte ou alguma ruína romana: seu propósito, simples e direto, é o de nos mostrar a triste realidade de uma guerra, o cotidiano dos soldados e o sofrimento dos civis que precisam conviver sob o medo, a fome, a humilhação e outras aflições que só quem passa por esse tipo de situação é capaz de contar 🙁

Pracinhas brasileiros na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

Quarta sala do museu, dedicada à Segunda Guerra Mundial. A FEB chegou ao campo de guerra via mar, dividida em cinco escalões sucessivos, enquanto as cento e onze enfermeiras foram transportadas com aviões. Os soldados brasileiros não receberam nenhum adestramento adequado e seus equipamentos não eram apropriados para enfrentar um dos invernos mais rigorosos do século 20. Porém, apesar das condições difíceis de combatimento, a FEB enfrentou o impiedoso inverno europeu combatendo nas proximidades dos Apeninos e, heroicamente, chegou até o fim de sua missão.

FAB – Força Aérea Brasileira

A FEB teve mais de dois mil perdas, entre mortos, desaparecidos e feridos, e fez mais de vinte mil prisioneiros. Importante lembrar a grande contribuição da FAB – Força Aérea Brasileira -, com as suas 1.282 horas de voo sobre as linhas inimigas.

Outro fator que contribui para que os cidadãos montesinos sejam gratos aos nossos pracinhas foram as relações de amizade que estes instauraram com a população: da parte brasileira, os socorros e os abastecimentos aos civis superaram os limites impostos pelos Aliados.

Quero receber a newsletter mensal de Viagem na Itália

Pracinhas brasileiros na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

Reconstrução na sala dedicada à FEB de um escritório de campo: temos um oficial brasileiro no acampamento que, com o auxílio de alguns mapas, acompanha a situação delicada dos combates nos arredores de Montese. A farda do oficial é um conjunto brasileiro-estadunidense. No específico, a jaqueta, produzida no Brasil, foi usada ocasionalmente durante a Campanha da Itália, pois ela não agradou os soldados brasileiros enquanto se parecia muito com a farda dos alemães.

Pracinhas brasileiros na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

Reconstrução de um posto de primeiro-socorro: um enfermeiro da FEB atende um soldado ferido. Durante os combates para liberar a cidade e os arredores, os feridos recolhidos em batalha recebiam as primerias medicações básicas em abrigos totalmente improvisados e com um equipamento médico frequentemente não idôneo para os ferimentos graves.

A minha dica é

Se você é amante de história, principalmente do período da Segunda Guerra Mundial, então aproveite para visitar o Museu Histórico de Montese e aprender um pouco mais sobre a atuação dos nossos heróicos pracinhas na Itália ☺

Pracinhas na Itália: informações sobre o Museu Histórico de Montese


 

Para visitar o museu, ligue pro número: 00 39 059 971122.

Via della Rocca, 291. Cento de Montese, província de Modena.

Só é possível chegar a Montese de carro, pois a cidade fica entre os Apeninos de Modena. Alugue seu carro pelos melhores preços com RENTALCARS.

Guia de turismo em português na ItáliaVisite o Museu de Montese com uma acompanhante turística brasileira, parceira do blogue (de 22/06 a 22/08/19 a profissional não está disponível para passeios).  Solicite um orçamento AQUI.

Site do Museu Histórico de Montese (em português).


* Este texto faz parte de uma Blogagem Dupla realizada com Deyse Ribeiro, do Blogue Passeios na Toscana. Leia também: Segunda Guerra Mundial: A Cobra Fumou em Pistoia.


* Visitei o Museu Histórico de Montese a convite de Promappennino. O meu agradecimento em especial a Emanuela Battistini, do município de Montese, pelo material explicativo enviado.

**Esta postagem contém links de parceiros afiliados. Saiba mais sobre a Política de Monetização do blogue.


VIAGEM NA ITÁLIA

Desde 2003, sou residente em Riccione, um balneário turístico na região Emília-Romanha. No fim de maio de 2013, decidi tirar da gaveta a ideia de escrever um blogue com dicas de viagem na Itália, divulgando, assim, o maravilhoso patrimônio artístico, cultural e paisagístico que só este país pode oferecer. Estou também no Facebook, Instagram, Twitter e YouTube. Assine a newsletter mensal.

Comments

  1. Nas últimas semanas a RBS TV (aqui no Rio Grande do Sul) exibiu aos sábados uma micro série sobre as batalhas dos Pracinhas na Itália, mesclando imagens antigas e depoimentos atuais, tentando detalhar as dificuldades, as derrotas e as vitórias. É, sem dúvida, uma história linda e que deveria ser melhor difundida entre as novas gerações – é tão importante entender a história para a construção de um futuro melhor, mais justo, né? Adorei o post e, ainda mais, as imagens. Não conhecia. BjO!!

    • Olá, Paula,

      Que legal esta minissérei da RBS sobre os Pracinhas na Itália! Concordo com você: entender a história é primordial para a construção do nosso futuro e, sem dúvidas, mostrar aos brasileiros o grande empenho dos soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial é muito importante para a nossa conscientização sobre essa triste página da história do mundo…

      Obrigada pelo comentário e beijos ☺

  2. […] Importância histórica: Folgaria é uma das cidades condecoradas com valor militar pela Guerra de Liberação. Foi-lhe atribuída tal honra pela Cruz de Guerra de Valor Militar pelo sacrifício de sua população e luta ao lado dos partigianos durante a Segunda Guerra Mundial. E por falar em Segunda Guerra Mundial, leia também a postagem sobre o Museu Histórico de Montese que homenageia nossos pracinhas. […]

  3. […] A Ponte de Tibério conseguiu resistir à tentativa de destruição por parte das forças armadas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. […]

  4. […] população ladina, mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, encontrou-se perante um problema de identidade: de um lado, ser italiano, quando o território foi […]

  5. […] ali perto, além de ter assistido a programas televisivos que relatam um dos momentos cruciais da Segunda Guerra Mundial justamente em Monte Cassino, lugar que delineou o rumo da história, e poder conhecer […]

  6. […] O percurso termina em um set que é uma verdadeira surpresa: um submarino alemão da Segunda Guerra Mundial! […]

  7. Oi, Maria! Sou um amante da história da II Guerra Mundial e desenvolvo a página PELOS CAMINHOS DA II GUERRA MUNDIAL. Fazem 12 anos que eu e minha mulher andamos pelos locais onde a guerra aconteceu. Faço palestras e promovo eventos sobre o assunto aqui em Fortaleza. Pretendemos ir à região onde os brasileiros participaram em outubro (talvez 15 a 21), porque já estarei em Barcelona de setembro a dezembro. Pergunto como estará a temperatura da região nessa época. Vamos ficar nos comunicando? Quem sabe tomamos um café juntos quando formos. Um abraço!

    • Bom dia, Eleazar,

      A temperatura em outubro, na região Emília-Romanha, é agradável, pois estaremos no outono. Aconselho a trazer casacos leves e, dependendo do tempo, dá para andar de mangas curtas durante o dia.

      Qualquer coisa, pode me mandar um e-mail: info@viagemitalia.com

      Abraços e bom fim de semana!

      Maria

  8. Oi, Maria! Pretendemos ir a Pistoia, subir para Montese, Monte Castelo, passando por Marzabotto e indo até Livergnano, ficando nessa região por uns 3 dias. É o melhor roteiro mesmo, quando se trata desse assunto? Muito obrigado!

    • Bom dia, Eleazar,

      Como eu só conheço o museu de Montese, na província de Modena, não posso dar palpite em relação a esse itinerário, mesmo porque eu não tenho muito conhecimento sobre esse assunto 🙂

      Certamente a grande vantagem é que são cidades próximas!

      Um lugar da Segunda Guerra Mundial que quero muito conhecer é o campo de concentração dos hebreus em Fossoli, distrito de Carpi, província de Modena: https://www.fondazionefossoli.org/it/campo.php

      Desejo-lhes uma ótima viagem pelo itinerário da 2º GM na Itália!

      Maria

  9. Avatar Eleazar de Castro Ribeiro Says: agosto 12, 2018 at 3:16 pm

    Oi, Maria! Obrigado pela dica maravilhosa! Eu nem sabia que existia esse campo, acredita? Vou citar seu nome nos agradecimentos do livro que estamos fazendo, ok? Abraço!

Deixe seu comentário ☺

error: