🎵 Como eram a música e a dança no Império Romano?


Cultura italiana

A primeiríssima música romana era, sobretudo, música popular e religiosa: tratava-se geralmente de composições fúnebres, cantos religiosos, canções conviviais e pequenas estrofes satíricas.

Por um lado, suas origens são pouco conhecidas: para entender o gosto dos romanos no quesito música, é necessário levar em consideração o contato de Roma com a arte helenística.

Como eram a música e dança no Império Romano

A dança e a música dos gregos

Para os gregos, dança e música representavam simbolicamente a harmonia universal como base do sistema do mundo: o culto divino, a ciência, a filosofia, o teatro e a poesia eram profundamente conectados com a música e a dança e faziam parte integrante da civilização e da educação gregas.

Música e dança na Roma Antiga

É necessário considerar também que esse tipo de mística musical já estava degenerada no momento em que os romanos se aproximaram do mundo grego.

Além disso, a arte musical da época alexandrina tendia a tornar-se uma tradição superada nos estudos e simples virtuosismo nas manifestações públicas.

O choque da música e danças gregas para Roma

Quando chegaram a Roma, músicas e dança gregas tinham caracterísicas particulares de entusiamo e acabaram provocando reações negativas no ambiente austero da república.

Em pleno segundo século antes de Cristo, o próprio Scipione Emiliano, que era um protetor das letras e das artes, estigmatizou severamente os cursos de dança e de música criados há pouco tempo e considerava-os uma afronta aos bons costumes.

Música no Império Romano

Música no Império Romano. Detalhe de afresco.

Mais tarde, Salustio fala de uma grande dama da aristocracia romana (a mãe de Brutus) que tocava a lira e dançava com maior habilidade de quanto se exigia de uma mulher honesta.


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Uma moda que se consagrou

Todavia, reclamações e alusões a esse tipo de gênero  não podiam obstacular o desenvolvimento de uma moda que se propagava rapidamente e, sob o império, parou de se submeter a preconceitos morais.

Até os próprios imperadores, figuras ideais de uma humanidade quase divina, que recebiam toda a atenção da população, exaltavam-se por ser, pelo menos, “bons amadores”.

Imperadores romanos e artistas

Assim, Calígula, Britânico, Tito, Adriano, Cômodo, Eliogabalo e Alessandro Severo mereceram, por esse propósito, elogios de seus biógrafos,

Até o Imperador Nero pretendia ter todo o talento de um artista profissional.

Dança romana

Dança romana.

Pueri symphoniaci

Os nobres e os ricos, imitando o imperador, não somente procuravam descobrir um talento pessoal, mas mantinham verdadeiras e próprias orquestras de jovens escravos – pueri symphoniaci – que os acompanhavams em suas viagens e alegravam seus banquetes.

Durante a célebre festa de Trimálquio, escrito na época de Nero, tudo foi realizado ao som de música: música para cortar a carne, música para a limpeza das salas.

Dançarinas, geralmente exóticas, africanas ou orientais, ritmando seus passos com pandeiretas ou castanholas, levavam sua graça a essas festas.

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O privilégio de alguns no mundo das artes

Alguns artistas, capazes de realizar números excepcionais, tinham um lugar eminente na alta sociedade: mimados pelos senhores, adulados pelas mulheres, obtinham oportunidades fabulosas e cobravam preços exorbitantes por suas lições.

Como era a dança no Império Romano

Até o Imperador Vespasiano, conhecido pela sua avareza, quando se tratava de artistas não limitava seus gastos.

O declínio da música

Essa procura pelo talento e pelo inédito, essa adoração pelo “divo” que encontra o seu lugar no teatro, causou o declínio dos estudos musicais como arte liberal e como formação cultural.

E se a dança e o canto nunca foram excluídos dos programas de instrução geral, eles passaram a ter um lugar sempre menos importante e só o canto coral conservou algum certo prestígio.

Ademais, a transformação dos instrumentos, que se tornavam cada vez mais difíceis de tocar, restringiam a sua prática pelos amadores.

Música e dança na Antiga Roma

A lira e o aulo

Na Grécia Antiga Clássica, os dois instrumentos musicais de base eram a lira, uma espécie de pequena arpa com sete cordas, e o aulo, o qual pode ser comparado ao nosso oboé, tinha sete ou oito canas de comprimento desigual e era tocado em árias pastoris.

É compreensível, portanto, que a música romana tenha morrido por uma crise de gigantismo na qual o bom gosto não tinha lugar.

O seu caráter barulhento, sua sensualidade, sua ligação com uma coreografia de má qualidade só podiam suscitar desdém no pensamento cristão.

O advento da música sacra

E foi por isso que muitos padres da igreja, nos séculos IV e V, chegaram a condenar radicalmente o canto e os instrumentos do culto.

Mas essa atitude intransigente parou de prevalecer e sabe-se que, a partir do fim do século IV, Santo Ambrósio criou a música sacra que leva o seu nome e, naturalmente, inspira-se em parte à música profana da sua época.

Romana que toca arpa. Música no Império Romano

Romana que toca harpa.

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*Referência bibliográfica: “Tutto su Roma Antica”. Texto de Paolo Emilia Arias. Ed. Bemporad Marzocco, Florença, 1963.


VIAGEM NA ITÁLIA

Desde 2003, sou residente em Riccione, um balneário turístico na região Emília-Romanha. No fim de maio de 2013, decidi tirar da gaveta a ideia de escrever um blogue com dicas de viagem na Itália, divulgando, assim, o maravilhoso patrimônio artístico, cultural e paisagístico que só este país pode oferecer. Estou também no Facebook, Instagram, Twitter e YouTube. Assine a newsletter mensal.

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