Museu da Vespa: um tributo à Rolls-Royce della Dolce Vita


Dicas na Toscana / Museus

Visitei o Museu da Vespa (Museo Piaggio) em Pontedera, província de Pisa, Toscana, em novembro de 2014, e mesmo não sendo uma especialista ou hiperfã de duas (e quatro) rodas, fiquei encantada com a grande coleção de Vespas que esse museu abriga.

Ao falar em Vespa (não confundir com Lambretta, são duas marcas italianas diferentes), logo nos vêm em mente cenas de cidades, ou de panoramas naturais italianos, com pessoas montadas na garupa de uma Vespa que serpenteiam o trânsito urbano ou simplesmente buscam a aventura de passear ou viajar com essas duas rodas, como nos filmes “A princesa e o plebeu” ou  “La Dolce Vita

Museu da Vespa (Piaggio), Pisa, Itália

Entrada do Museu Piaggio (Museu da Vespa), Pontedera, província de Pisa, Toscana.

Vespa, uma das marcas italianas mais famosas

Assim, se você quiser visitar o Museu da Vespa em Pontedera, eis algumas informações sobre esse templo dedicado a uma das marcas italianas mais famosas do mundo que em 2016 comemorou 70 anos de vida! 

Já pra você que adora cinema, e também curte uma Vespa, a segunda parte desta postagem é sobre alfuns filmes que têm a Rolls-Royce della Dolce Vita em algumas de suas cenas.

Museu da Vespa (Piaggio), Pisa, Itália

Museu da Vespa.

Museu da Vespa (Museu Piaggio), Pontedera, província de Pisa

O Museu Piaggio foi inaugurado em março de 2000 na  oficina de ferramentas da antiga fábrica, uma das áreas mais fascinantes do complexo industrial de Pontedera, justamente onde a empresa começou a sua produção nos primeiros anos da década de vinte no século XX.

Museu da Vespa (Piaggio), Pisa, Itália

À esquerda: uma Vespa e uma Ape. À direita: acervo de documentos do museu.

O museu também tem um arquivo histórico

O museu foi criado para conservar e valorizar o patrimônio histórico de uma das empresas italianas mais antigas e tem como objetivo reconstruir os fatos ocorridos em torno de Piaggio e de seu território.

A estrutura percorre um longo período da história italiana com suas transformações econômicas, de costumes e de desenvolvimento industrial por meio da exposição de seus produtos mais famosos e representativos, além da rica documentação conservada no Arquivo Histórico do Museu.

Museu da Vespa (Piaggio), Pisa, Itália

Mas quantas Vespas tem esse museu? ☺

Coleções Vespa e Gilera

As salas sediam as coleções Vespa e Gilera ao lado dos produtos mais importantes de Piaggio – motores aeronáuticos dos anos trinta, um exemplar de motriz ferroviária MC2 54 de 1936, o avião P148 de 1951, a Ape, o Pentarò, o Ciao -, até chegar às scotters de última geração.

Museu da Vespa (Piaggio), Pisa, Itália

A mítica Gilera.

O que chama a atenção dos fãs e curiosos que visitam o museu é, certamente, a Coleção Vespa, única do seu gênero.

Somente em Pontedera é possível encontrar os preciosos protótipos dos anos quarenta: o MP5, conhecido com o apelido de Paperino” (Pato Donald), primeiro experimento de Piaggio no campo da scooter e produzido em pouquíssimos, e difíceis de encontrar, exemplares entre 1943 e 1944; e o  MP6, celebérrimo protótipo de Vespa que saiu da ponta do lápis de Corradino d’Ascanio no outono de 1945.

Museu da Vespa (Piaggio), Pisa, Itália

Uma Ape à siciliana.

Você passará cerca de uma hora, mínimo, dentro do Museu da Vespa, encantado(a) com toda a sua coleção de Vespa, Ape, Gilera, etc. É permitido fotografar à vontade ☺


Endereço e horário do Museu da Vespa (Museo Piaggio), Pontedera, província de Pisa, Toscana

Viale Rinaldo Piaggio, 7. Pontedera (PI).

Terça a sexta: 10 h às 18 h

Sábado: 10 h – 13 h e das 14 h às 18 h

Domingo (segundo e quarto domingo do mês): 10 h às 18 h. Aberto todos os domingos até 18 de abril de 2017

Segunda-feira: Fechado.

Entrada franca.

Para quem chega de trem: A estação de Pontedera (vide mapa acima) é a poucos metros do Museu da Vespa.

 Insira o endereço no GPS e bom passeio! Aproveite para alugar seu carro na Itália aqui.

Aberturas extraordinárias em 2017:

06 de janeiro (Epifania); Pasquetta (17 de bril); Festa da Liberação (25 de abril); Dia do Trabalho (1º de maio); Festa da República (2 de junho); Ferragosto (15 de agosto); Dia de São Faustino (segunda quinta-feira do mês de outubro); Festa de Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro), Véspera de Natal (24 de dezembro); São Silvestre (31 de janeiro, 10 h às 13 h).

Visitas guiadas em italiano ou inglês

Terça a sábado, das 10 h às 18 h: O museu oferece visitas guiadas em italiano ou inglês, as quais devem ser agendadas aqui.

Preços: 20 euros (grupos de até 10 pessoas), 40 euros (grupos de até 20 pessoas) e 60 euros (grupos de até 30 pessoas).

Horário do Bookshop

Terça a sexta-feira: 10 h às 13h30 e das 14h30 às 17h30.

Sábado e domingo (segundo e quarto domingo do mês): 10 h às 13 h e das 14 h às 17h30.

 Para mais informações, consulte o site do Museo Piaggio (italiano e inglês).

Museu da Vespa (Piaggio), Pisa, Itália


Vespa: A Rolls Royce della Dolce Vita


A Vespa apareceu pela primeira vez no cinema no filme de William Wyler “A princesa e o plebeu” (Roman Holidays, 1953), com Audrey Hepburn, no papel de uma princesa de um reino imaginário, e Gregory Peck e Eddie Albert como um jornalista e um fotógrafo americanos.

A princesa e o plebeu

A história acontece em Roma, e no filme a Vespa exerce uma função que depois será copiada em muitos outros filmes: esse veículo de duas rodas contribui para criar um certo ambiente, uma determinada atmosfera.

É, em poucas palavras, sinônimo de Itália, em modo particular a Itália dos anos cinquenta e sessenta: não por caso, aparece no filme de Antony Minghella, “Il talento de Mister Ripley” (1999), ambientado na Itália próprio nos anos cinquenta.

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Museu da Vespa - Vacanze Romane

Audrey Hepburn em “A princesa e o plebeu”, de William Wyler (1953).

Por que tanto destaque para a Vespa nos filmes? Essa resposta é dada pelo diretor de cinema Dino Risi:

Não dava para não lhe dar destaque naqueles anos. Depois da guerra, andava-se a pé; a Vespa foi o primeiro meio de transporte das massas, custava pouco e, por isso, era muito popular. Quando o carro foi lançado, teve seu papel nos filmes, assim como aconteceu com o avião e assim será para cada meio de transporte que será inventado no futuro” (tradução livre).

Vespa: único meio de locomoção

Até a invenção do automóvel, era a Vespa o único meio de locomoção com o qual se moviam famílias inteiras: um verdadeiro e próprio fenômeno de costume.

Eis, então, a Vespa protagonista nas comédias hilárias de “Poveri, ma belli” (1956), “Belle, ma povere” (1957) e “Cocco di mamma” (1957), nas quais Dino Risi contou a vida das classes populares de Roma; dos filmes “La notte brava” (1959), de Mauro Bolognini, e “I tartassati” (1959), de Steno, tragicomédia sobre as brigas de duas famílias da pequena classe média.

O mestre  Federico Fellini reservou às duas rodas uma parte em “La dolce vita” (1959), filme que eternizou uma certa Roma do fim dos anos cinquenta. Enfim, a Vespa dos “paparazzi” romanos sará chamada a Rolls-Royce della dolce vita“.

Museu da Vespa - La Dolce Vita

Paparazzi a bordo de Vespas no filme “La Dolce Vita”, de Federico Fellini (1959).

A Vespa em filmes estrangeiros

Também vemos a Vespa em filmes estrangeiros, como no francês “Les Tricheurs” (1958), de Marcel Carné; no inglês “A pair of briefs” (1961), de Ralph Thomas; nos estadunidenses “The happy road” (1957), de Gene Kelly e “Bombers B-52”  (1957), de Gordon Douglas.

Após um longo período, foi próprio Nanni Moretti, em “Caro diario” (1993), a dar novamente importância à Vespa, a qual voltou a ser símbolo de liberdade, em modo especial à liberdade de movimento nas cidades italianas, atualmente abarrotadas com o trânsito estressante.

Museu da Vespa - The Interpreter

Nicole Kidman em “The Interpreter” (2005).


Lista de alguns filmes com a Vespa


A princesa e o plebeu (Vacanze romane), de William Wiler (1953)

Amici per la pelle, de Franco Rossi (1955)

Mogli e buoi, de Leonardo de Mitri (1956)

Padri e figli, de Mario Monicelli (1956)

Poveri ma Belli, de Dino Risi (1956)

Belle ma povere, de Dino Risi (1957)

Il cocco di mamma, de Mauro Morassi (1957)

Destinazione Parigi, de Gene Kelly (1957)

Femmine tre volte, de Steno (1957)

I giganti toccano il cielo, de Gordon Douglas (1957)

Ladro lui ladra lei, de Luigi Zampa (1957)

Ladrão de Casaca (Caccia al ladro), de Alfred Hitchcok (1958)

Vacanze ad Ischia, de Mario Camerini (1958)

Anna di Brooklin, de Carlo Lastricati (1958)

Peccatori in blue jeans, de Marcel Carné (1958)

Primo amore, de Mario Camerini (1958)

La ragazza di Piazza San Pietro, de Pietro Costa (1958)

Racconti d’ estate, de Gianni Franciolini (1958)

Sangue sull’ asfalto, de Bernard Borderie (1958)

La cambiale, de Camillo Mastrocinque (1958)

Un uomo facile, de Paolo Heusch (1958)

Os Eternos Desconhecidos (I Soliti Ignoti), de Mario Monicelli (1958)

Ciao, ciao bambina, de Sergio Grieco (1959)

La dolce vita, de Federico Fellini (1959)

Il mattatore, de Dino Risi (1959)

La notte brava, de Mauro Bolognini (1959)

Simpatico mascalzone, de Mario Amendola (1959)

Urlatori alla sbarra, de Lucio Fulci (1960)

La ragazza super sprint, de Fernaud Pointrenaud (1960)

Torna a settembre, de Robert Mulligan, (1961)

Due mariti per volta, de Ralph Thomas (1961)

I nuovi angeli, de Ugo Gregoretti (1961)

Jessica, de Jean Negulesco (1961)

No, my darling daughter, de Ralph Thomas (1961)

Diciottenni al sole, de Camillo Mastrocinque (1962)

Domenica d’ estate, de Guglielmo Petroni (1962)

American Graffiti, de G. Lucas (1973)

Quadrophenia, de F. Roddam (1979)

Scarface, de Brian De Palma (1983)

Sapore di mare, de Vanzina (1984)

Absolute beginners, de J. Temple (1986)

Il Ragazzo del Pony Express, de Franco Amurri (1986)

Good morning, Vietnam, de Barry Levinson (1987)

Caro diario, de Nanni moretti (1993)

D’ amore e ombra – Of love and shadows, de Betty Kaplan (1994)

Il Barbiere di Rio, de Giovanni Veronesi (1996)

The day after tomorrow, de Roland Emmerich (2004)

Manuale d’Amore, de Giovanni Veronesi (2005)

The interpreter, de Sydney Pollack (2005)

Munich, de Steven Spielberg (2005)


Serviços turísticos na Toscana


* Referências bibliográficas

Museo Piaggio

Cinema Comunale Pietra Santa

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VIAGEM NA ITÁLIA

Desde 2003, sou residente em Riccione, um balneário turístico na região Emília-Romanha. No fim de maio de 2013, decidi tirar da gaveta a ideia de escrever um blogue com dicas de viagem na Itália, divulgando, assim, o maravilhoso patrimônio artístico, cultural e paisagístico que só este país pode oferecer.

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Comments

  1. Maurício S. Coutinho Says: Março 16, 2016 at 12:28 pm

    Eu adoro a Vespa, tenho três na estante do meu quarto, rs.

    Já tinha ouvido falar desse museu, e ele tá na minha lista pra visitar quando eu for na Itália em setembro desse ano, se Deus quiser (e ele vai querer!)

    Abraços e parabéns pelo blog.

    Maurício S. Coutinho

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