🍲 Como era o café da manhã, almoço e jantar na Itália Antiga?


Cultura italiana / Gastronomia italiana

Na nossa sociedade ocidental, estamos acostumados a três refeições principais diárias – café da manhã, almoço e jantar – e a pergunta que não quer calar é: de onde vem esse nosso hábito de alimentação?

Fui buscar a resposta em um texto científico*, o qual nos mostra como os antigos romanos se alimentavam no Império Romano e, consequentemente, nos deixaram a herança alimentar do café da manhã, almoço e jantar cotidianos.

Alimentação na Itália Antiga

Imagem: Site do Ministério Italiano da Cultura.

Alimentação na Itália Antiga: Café da manhã, almoço e jantar


Seguindo uma dieta habitual, três refeições principais por dia mediam a relação de um antigo romano com a comida: o café da manhã no início do dia (ientaculum), o alimento ligeiro do meio-dia (prantium) e o jantar à noite (cena).

Assim como na antiga tradição grega, era este último a verdadeira refeição do dia, o momento no qual o romano se reunia com sua família e amigos no fim de um dia de trabalho.

A consistência de cada alimento variava segundo o período histórico, o status da família e o lugar onde a pessoa morava: em um centro urbano ou no campo. Se um romano do período arcaico se satisfazia com uma refeição simples à noite (vesperna), a partir do século II foi necessária a promulgação de leis suntuárias apropriadas para limitar a despesa per capita em ocasiões de jantares sociais.

Café da manhã

O jentaculum acontecia entre a terça e a quarta hora, ou seja, às oito e às nove horas da manhã, e continha desde pão embebido no vinho, um costume grego, até restos de comida da noite anterior, azeitonas, ovos, queijos, etc. O leite era reservado para as crianças (de ovelha ou de cabra).

O leite de vaca nem sempre era comum e o leite de jumenta  era mais usado para tratamentos estéticos), acompanhado de brioches frescos, salgados ou adocicados com mel, às vezes comprados à caminho da escola no pistur dulciarius (Marz. Apoph. XIV, 223), um tipo de confeiteiro daquela época.

Alimentação na Itália Antiga 1

Imagem: Site Ministério Italiano da Cultura.

Almoço

Entre a sexta e a sétima hora, isto é, por volta do meio-dia, comia-se o prantium: geralmente um lanche feito na rua durante a pausa no trabalho, levado de casa ou, para os mais sortudos com dinheiro no bolso, comprado nos vendedores ambulantes e nos locais públicos.

Era encontrado facilmente perto de lugares bastante frequentados durante o dia, como o Foro e as Termas, onde havia um burburinho de lanchonetes (thermopolia ou popinae) e nem era preciso procurar muito até encontrar um, pois comerciantes espertos mandavam seus empregados para as ruas do centro e para dentro dos estabelecimentos a fim de vender iguarias frias ou quentes conforme a estação.

Se a refeição era feita em casa, sempre sobravam restos do dia anterior, os quais eram comidos em pé como pratos frios e rápidos.

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Jantar

A hora do jantar romano começou a mudar lentamente, passando da tarde para a noite com o refinamento dos costumes e a introdução da iluminação doméstica: podia ter um único prato se a pessoa comia sozinha (domicenium) ou se transformar em um motivo de reunião com os amigos (convivium).

Em tal caso, tinha uma ordem pontual de sucessão de pratos, às vezes invertida para surpreender os convidados, e um número não inferior a três (fercula), podendo chegar a seis pratos como no famoso jantar de Trimálquio.

Os banquetes não eram exclusividade dos ricos: quando a situação econômica do dono de casa não era muito boa, os próprios convidados levavam alguma coisa para contribuir no jantar.

História da alimentação em Roma e Pompeia antigas

Imagem: Site Ministério Italiano da Cultura.

A reunião (convivium) começava com entradas fartas para estimular o apetite, chamadas de gustatio ou promulsis, e vinho misturado com mel (mulsum), o qual era acompanhado de degustação de ovos, frutos do mar e verduras.

A seguir, eram servidos pratos com carne, peixe e iguarias cobiçadas (mensa prima ou caput cenae). A conclusão de tanta comida requintada era feita com doces e, normalmente, com frutas frescas e secas.

Às vezes eram servidos de novo alimentos salgados (linguiças e focacce de queijo, mas também moluscos), os quais constituíam a “segunda mesa” (seconda mensa), expressão derivada do antigo costume grego e depois esquecida pelos romanos, a qual era a de trocar a mesa no fim de cada refeição.

Foi próprio o costume de comer ovos na entrada e frutas no fim do jantar que deu origem ao ditado  «ab ovo usque ad mala»: «do ovo às maçãs».

Vinho

Ao vinho, servido e bebido com moderação durante a primeira parte da refeição para não interferir na respeitosa homenagem aos Lares  entre a primeira e a segunda rodada de pratos, era reservada a commissatio, uma libação à qual uma pessoa podia ser convidada separadamente, como em um momento pós-jantar.

Mais uma vez, tira-gostos ou comidas mais consistentes eram servidos aos convidados, regados a conversações mais ou menos filosóficas, conforme a quantidade de vezes que os jovens barman tivessem enchido as taças.


Leia também: Gastronomia italiana.


Lojinha do Viagem na Itália


* Texto baseado no original em italiano de Stefania Celentino – Ministério Italiano da Cultura e do Turismo.


VIAGEM NA ITÁLIA

Desde 2003, sou residente em Riccione, um balneário turístico na região Emília-Romanha. No fim de maio de 2013, decidi tirar da gaveta a ideia de escrever um blogue com dicas de viagem na Itália, divulgando, assim, o maravilhoso patrimônio artístico, cultural e paisagístico que só este país pode oferecer. Estou também no Facebook, Instagram, Twitter e YouTube. Assine a nossa newsletter mensal.

Comentários

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