Como era o casamento no Império Romano?


Cultura italiana

O casamento era o evento mais solene na vida dos antigos romanos a partir do momento que toda a sociedade tinha a sua base na família e na sua estabilidade. Ele causava consequências sociais e fazia frequentemente uma aliança entre duas famílias, um detalhe muito importante na vida política.

Assim, os pais preferiam escolher eles mesmos a noiva para seus filhos ou os seus futuros genros, sem levar em consideração os desejos dos filhos. Todavia, na prática tinham também que ter em conta o parecer da esposa, da mãe do noivo ou da noiva, o qual podia ser mais suscetível ao sentimento.

Como era o casamento no Império Romano?


O direito do pai de escolher o esposo ou a esposa para os filhos é uma consequência da antiga patria potestas que, com a mudança dos costumes, tende a limitar esse direito até que os jovens conquistem o privilégio de recusar o partido que a eles vem proposto no caso em que esse último seja próprio inaceitável.

As moças podiam ser maritais desde os doze anos, os rapazes, de quatorze anos em diante. Mas, na verdade, as pessoas do sexo masculino quase não se casavam assim tão cedo, enquanto as moças, sim.

Primeiro, o noivado, depois, o casamento

O casamento acontecia depois de um longo período de noivado, já que os noivos eram, às vezes, criados pelos pais enquanto ainda eram crianças. Ambos os pais tinham o compromisso recíproco, perante a testemunhas, de unir seus filhos. Geralmente o noivo, ou seu pai, fazia uma doação à noiva a qual era restituída no caso em que o noivado fosse interrompido. Os jovens trocavam entre si uma aliança.

Casamento na Roma Antiga

O marido aperta em suas mãos a mão da esposa. Museu das Termas de Diocleciano, Roma. Imagem: Wikipédia.

Tipos de matrimônio na Roma Antiga

Existiam diferentes formas de matrimônio no Império Romano. Três dessas formas colocavam a jovem esposa sob o poder absoluto do marido (in manu mariti). Nos últimos anos da república, essas formas caíram em desuso e no seu lugar foi aplicada uma quarta forma, a qual dava independência à mulher.

Os três antigos tipos de matrimônio eram: o coemptio (matrimônio por aquisição), o confarreatio (matrimônio por “comunhão”) e o usus (matrimônio por coabitação).

O primeiro torna o casamento igual a uma aquisição da noiva perante as testemunhas e o marido é o “proprietário” da mulher.

O matrimônio por comunhão

O segundo tipo é, talvez, o mais antigo e tem um caráter religioso: é celebrado na presença do pontífice máximo e do flâmine de Júpiter, sendo o seu momento culminante a divisão entre os dois jovens de uma focaccia de farro (um grão de qualidade inferior que ainda era usado em certos ritos religiosos): desse modo, os esposos “se comunicavam” durante o sacrifício e eram unidos religiosamente.

Essa era a forma matrimonial praticada pelos patrícios e era indispensável para quem quisesse que os filhos nascidos dessa união exercitassem certas formas de sacerdócio.

O matrimônio por coabitação

O terceiro tipo, o matrimônio por coabitação, era simplicíssimo: os esposos tinham uma vida em comum e, passado um ano, a mulher se submetia à potestas do marido – a menos que não tivesse se ausentado por três dias e três noites antes do fim do ano.

Com esse procedimento jurídico, usado desde o século IV a.C., eliminaram-se certas categorias de mulheres à manus dos respectivos maridos, isto é, começaram a ser celebrados os primeiros casamentos entre patrícios e plebeus. Nesse caso, as mulheres ficavam sob a tutela legal do pai e, com a morte desse último, sob aquela de um tutor escolhido pelo pretor.

Casamento na Roma Antiga

Afresco com um casal de Pompeia. Imagem: Wikipédia.

Casamento = início de uma vida a dois

Assim, durante a Idade Clássica, os matrimônios eram verdadeiras e próprias “uniões livres” que tinham suas bases somente no consentimento mútuo e no afeto dos esposos. Porém, o casamento, isto é, o início da vida em comum, tornava-se solene com as pitorescas cerimônias, em grande parte tradicionais, que remontavam a um passado bem longínquo. Seu significado tinha sido perdido, mas continuaram porque “traziam sorte”.


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Festa de casamento

O dia do casamento era escolhido com grande cuidado para se ter boa sorte. O processo de vestimenta da esposa começava no início da noite da véspera: dividiam-lhe o cabelo com uma ponta de lança para se obter seis tranças, que eram presas em torno da cabeça com pequenas faixas de lã.

Depois, vestiam-na com uma túnica costurada em um só pano, apertada na cintura com um cinto fechado por um nó ritual, o “nó de Hércules”. Durante a cerimônia, a jovem usava também um véu laranja sobre sua cabeça, o flammeum. Nessa noite, a noiva dava adeus aos seus brinquedos infantis e entregava-os ao seu deus Lar.

Contrato de casamento no Império Romano

Na manhã seguinte ao casamento, os pais e os convidados se reuniam na casa da noiva e no átrio era celebrado o sacrifício: vinha imolada uma porca, às vezes uma ovelha, e as pessoas observavam os órgãos internos do animal para ter sorte, ritual que, durante a Idade Clássica, não se fazia mais. Depois trocavam entre si os documentos do contrato em frente às testemunhas que, em número de 10, assinavam os exemplares do documento.

Alimentação na Itália Antiga

Banquete na Roma Antiga. Imagem: Wikipédia.

Perante o animal sacrificado, os esposos davam seu mútuo consentimento e a jovem pronunciava a célebre fórmula – “Ubi tu Gaius, ego Gaia”. Os presente aplaudiam alegremente e gritavam “Feliciter” para dar sorte aos esposos. Depois todos se sentavam à mesa e o banquete acontecia até a noite.

Quando aparecia a estrela vésper, a primeira que brilha no céu, era o momento de levar a jovem esposa para a casa do marido. Ela fingia ter medo e corria para os braços da mãe, sendo que depois se deixava levar com uma certa facilidade e o cortejo atravessava a cidade, no meio das aclamações do povo, essas também de caráter religioso. Jogavam-se nas pessoas nozes, doces e moedas como auspício de fecundidade.

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Cortejo nupcial na Antiga Roma

O cortejo era precedido por pessoas que carregavam buquês de branca-espinha. Quando chegavam à porta do noivo, eles jogam fora os buquês e todos procuravam pegá-los porque a planta trazia sorte. Enquanto isso, a noiva esparramava um pouco de óleo no batente da porta e a enfaixava com pequenas faixas de lã. Depois os jovens do cortejo levantam a esposa com os braços e faziam com que ela atravessasse o limiar.

Atrás dela, entravam as jovens companheiras que levavam uma roca e um fuso simbólicos. O marido oferecia à esposa a água e o fogo, que são os elementos da vida, e enquanto uma veneranda matrona conduzia a jovem esposa até o quarto, onde o marido a esperava, os convidados iam embora.


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*Referência bibliográfica

Livro “Tutto su Roma Antica”. Texto de Pierre Grimal. Ed. Bemporad Marzocco, Florença, 1963.


VIAGEM NA ITÁLIA

Desde 2003, sou residente em Riccione, um balneário turístico na região Emília-Romanha. No fim de maio de 2013, decidi tirar da gaveta a ideia de escrever um blogue com dicas de viagem na Itália, divulgando, assim, o maravilhoso patrimônio artístico, cultural e paisagístico que só este país pode oferecer.

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